Breve: Louva-a-deus, um inseto mal compreendido

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Gambá, um mamífero mal compreendido


Este é o feio mas importantíssimo Gambá.
Seu nome comum originou-se da língua tupi-guarani e vem de guámbá, gã´bá ou guaambá, que quer dizer ventre aberto, seio oco ou saco vazio, fazendo menção à sua barriga oca por causa da bolsa onde cria os filhos. Típico das Américas, é um mamífero marsupial, assim como o canguru.
Pertence à Ordem Didelphimorphia, Família Didelphidae, e seu nome cientéfico é Didelphis sp. Habita desde o sudeste do Canadá até o sul da Argentina, principalmente as florestas, porém tem se adaptado bem à presença humana, vivendo também próximo ao ser humano, entrando em chácaras, quintais, e até mesmo em grandes centros urbanos.
Zorrilho ou Jaratataca - Mephitis mephitis
São ainda confundidos por vezes com o cangambá ou zorrilho (Mephitis mephitis) mas, apesar de algumas semelhanças, principalmente quanto ao seu “perfume”, este não é um marsupial, mas sim um carnívoro da família Mephitidae, também possuidor de glândulas capazes de lançar um forte odor como defesa. Nem parentes próximos eles são.
Também é erroneamente chamado de “raposa” em boa parte do Brasil, talvez pelo fato de eventualmente atacar alguma galinha. A verdadeira raposa (gênero Vulpes) é do Hemisfério Norte, principalmente Europa e Rússia, e no Brasil o exemplar que mais se aproxima de uma raposa pela sua grande semelhança física é o graxaim (gênero Cerdocyon) que estão mais próximos do gênero Canis, ao qual pertencem os lobos. Absolutamente distante do gambá ( gênero Didelphis).
Raposa vermelha - Vulpes vulpes
Infelizmente, sua fama não é nada boa dentre os humanos menos esclarecidos.
O gambá possui um líquido fedorento produzido por glândulas odoríferas que é utilizado como meio de defesa quando perturbado. O cheiro também é exalado pela fêmea em maior quantidade na época em que está no cio e tem a função de atrair o macho, afinal, gosto é gosto... Este cheiro é um dos motivos por ele ser tão discriminado.
O gambá pode ser domesticado
Mesmo assim, o gambá foi e ainda é fonte de alimento como saborosa carne para muitos povos. No livro “Delícias do Descobrimento”, da portuguesa Sheila Moura Hue, o gambá é citado como uma das carnes utilizadas na refinada alimentação dos europeus que aqui chegaram logo após a “invasão” do território brasileiro. Obviamente hoje a legislação ambiental proíbe tanto seu abate como os maus tratos, como o cativeiro.
Cauda preênsil
O gambá é um animal com 40 a 50 centímetros de comprimento, sem contar com a cauda que chega a medir 40 cm, com um corpo parecido com o rato. A cauda tem pelos apenas na região proximal, é escamosa na extremidade e é preênsil, ou seja, tem a capacidade de enrolar-se a um suporte, como um ramo de árvore. As patas são curtas e têm 5 dedos em cada uma, com garras. O hálux (primeiro dedo das patas traseiras) é parcialmente oponível (como o polegar da mão humana) e, em vez de garra, possui uma unha, é usado para agarrar e escalar galhos. É muito ágil no alto das árvores, podendo andar sobre fios de luz, mas sua mobilidade no solo é lenta e desengonçada.

Mão com garras
Pé com hálux oponível

A fêmea pode dar à luz até três vezes durante o ano, dando de 10 a 20 filhotes em cada gestação, que dura 12 a 14 dias. Como nos restantes marsupiais, ao invés de nascerem filhotes, nascem embriões com cerca de um centímetro de comprimento, que se dirigem à bolsa, onde ocorre uma soldadura temporária da boca do embrião com a extremidade do mamilo. Os filhotes permanecem no marsúpio até uns 3 meses e, quando saem e, ainda não capazes de viver sozinhos, são transportados pela mãe em seu dorso. Podem viver até 4 anos. 

Embriões na bolsa
Carona
 
Além de exalar seu cheiro característico como defesa quando ameaçado, outra estratégia para escapar dos perigos é o comportamento de fingir-se de morto até que o atacante desista. Alguns gambás são imunes ao veneno de serpentes, incluindo as jararacas, cascavéis e corais, podendo atacá-las e ingeri-las. foto gambá fingindo
A maioria das espécies possui hábitos noturnos e uma dieta onívora, que pode incluir frutos, insetos, raízes, vermes, crustáceos (caranguejos em áreas de mangue), moluscos, néctar e pequenos vertebrados (sapos, lagartos, serpentes e aves). É considerado um dos maiores predadores de escorpiões, até mais do que as galinhas. Estudos recentes observam como novidade o fato de ele se alimentar da goma de certas árvores que as produzem em ferimentos na casca.
Alguns gambás são imunes ao veneno de serpentes, incluindo as jararacas (Bothrops sp.), cascavéis (Crotalus spp.) e corais (Micrurus spp.), podendo atacá-las pela cabeça e comê-las. Segundo um estudo científico, a dose letal em um experimento com gambás foi de 660 mg de veneno, o que corresponde a uma dose 4.000 vezes superior à suportada por um boi de 400 kg.
Na natureza têm como principal predador o gato-do-mato (Leopardus spp.), enquanto nas cidades são frequentemente atropelados por terem a visão ofuscada pelos faróis e por sua pouca mobilidade. Não vivem em grupos, mas na época da reprodução formam casais e constroem ninhos com folhas e galhos secos em buracos de árvores.
No território brasileiro há pelo menos quatro espécies:
Didelphis aurita Gambá-de-orelha-preta: em todo o Estado de São Paulo, principalmente nas regiões de Mata atlântica deste e dos estados próximos; ocorre também no norte do Rio Grande do Sul e Amazônia;
Didelphis albiventris Gambá-de-orelha-branca: Brasil Central, especialmente no Estado de São Paulo e no Rio Grande do Sul; também endêmico no Nordeste especialmente Pernambuco, onde é denominado timbu;
Didelphis marsupialis – Gambá-comum: Desde o Canadá ao norte da Argentina e Paraguai; no Brasil, principalmente na região amazônica; e
Didelphis paraguaiensis Rio Grande do Sul e Mato Grosso, podendo também ser encontrado no Paraguai.
Gambá-da-Virgínia: não ocorre no Brasil
Desde o norte da Argentina até o Canadá habita o Didelphis virginiana - Gambá-da-Virgínia.
A espécie D. marsupialis foi o primeiro marsupial a ser conhecido pelos europeus. Segundo a História da América, Vicente Yáñez Pinzón foi quem, em 1500, levou este animal para a Europa, o que causou estranheza, uma vez que os marsupiais na Europa tinham sido extintos no período , há mais de 60 milhões de anos.
As espécies de marsupiais são importantes na dinâmica das comunidades da mata atlântica. Alguns desses animais, como o Didelphis aurita, a cuíca-lanosa (Caluromys philander) e a cuíca (Micoureus travassosi), são eficientes dispersores de sementes. O gambá pode até atuar como controlador das populações de roedores silvestres.
Cuíca lanosa
Numa tese de doutorado realizada na Reserva Ecológica de Dois Irmãos, Recife, PE, indivíduos machos de D. albiventris foram marcados com dispositivo de rádio e rastreados com o objetivo de estimar sua áreas de uso e estudar seus comportamentos. Um dos machos chegou a ocupar em média uma área de 6,83 hectares e percorreu em média 424 metros por noite. Todos os animais utilizaram cavidades em árvores como abrigo diurno e em 97,5% do tempo noturno estavam em árvores, sugerindo que o animal é escansorial e usa preferencialmente estratos arbóreos em suas atividades normais.

3 comentários:

  1. Olá Ricardo,
    Parabéns pela postagem é 10

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  2. encotrei um aniimal igual a cuica lanosa,so que o rabo e comprido

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  3. puxa, tenho lido conteúdos sobre o bichinho em diversos saites e blogs e docs online, e esta tua postagem aí é das mais completas. parabéns e obrigada!

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